A vida não espera, a gente é que espera demais e a vida passa como um carro veloz na poeira sumindo. A vida nesse balanço da cadeira, parece que beira o cansaço das horas, o tédio da alma que pende, e se prende um tanto. Um instante congelado como se por toda a eternidade essa imagem fosse sempre essa imagem, estática, turva, perdida na transversal do tempo. Essa sombra, a penumbra, o chinelo negligenciado, solto no canto, as partículas de terra entrando nas narinas sem cerimônia. Passou uma vida pela outra e nem foi notada, ninguém pra transformar, nada pra fazer diferente. O sol escaldante como a panela que está no fogo, consome aos poucos a água, o verde, a vida, a comida. Feito traça, a vida vai comendo a fibra, e a fibra ao ser comida vai deixando destramar-se, vai deixando tudo lentamente e vendo deixar. a sombra é como a traça, a vida passa e é consumida na poeira. lenta-mente.........................................


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