Às vezes eu penso que queria viver só das palavras, queria inventar algumas, mover de asas outras. Eu vejo um abismo de profundidades nelas, eu me encontro conversando com as palavras, as sentenças. Eu posso até me perder e não achar a saída. Mas, gosto delas mesmo assim, mesmo nesse risco, porque nessa aventura sempre acabo me vendo. Me pego pensando nesse mundo e de como a vida de palavrador pode ir contra tudo que se exige, dizendo não à pressa, à ignorância, ao embrutecimento. A palavra sempre me parece um antídoto pro mundo de hoje. Eu bebo dele quase todo tempo. E acho que é por isso que me estranho, que olho e não consigo me ver em certas esquinas dessa vida. Mas, viver é algo como um caleidoscópio e gosto disso. Às vezes sofro por enxergar, mas é diferente estar vivo, como deve ser diferente ser um mosquito e pensar o ser humano. Essa matéria misteriosa que é a vida, eu vivo esse mistério, e me enobreço quando penso em estar assim.

4 voz(es):
Ando tão ladrão ultimamente que poderia dizer...
sonorizado por José Rafael Monteiro Pessôa
hahahaha
Fique avon! hahaha
Às vezes a gente é só veículo...
As palavras são labirintos onde se pode se perder, quem sabe se achar. Prefiro a primeira opção. O bom de se perder entre as palavras é estar no meio delas e continuar lá perdido. Acho que vida de palavrador é isso.
Gosto muito de suas postagens, Polly. Palavra de palavrador (quem sabe um aprendiz)!
Se perder pra se achar preenchido delas, isso é mesmo vida de palavrador.
Gosto de sua visita! Agradecida!
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